A contribuição do negro na política

Guerra dos Canudos

Guerra dos Canudos

Nos dizeres de Moura (1989), a história do negro no Brasil se mescla quase em sua totalidade na formação da nação brasileira, por meio de sua evolução histórica e social. O negro, considerado um objeto não raro como uma força animal de trabalho, contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da economia atual brasileira, mas mesmo contribuindo de forma bastante significativa, ele não pode usufruir do seu trabalho.

Além de desenvolver a riqueza nacional e disseminar sua cultura, o negro atuou politicamente. São vários os movimentos sócio-políticos na trajetória social e histórica brasileira que participaram o negro escravo ou o negro livre. Vale ressaltar também os quilombos, que foram vistos como movimentos políticos independentes dos escravos, em quase todas as lutas ocorridas ou planejadas o povo negro esteve presente.

Nas lutas pela independência e a sua consolidação, na luta pela expulsão dos holandeses, na Revolução Farroupilha, nos movimentos radicais da plebe rebelde, como a Cabanagem, no Movimento Cabano, e entre outros ele este presente. Ressalta-se também a famosa Inconfidência Mineira, a Inconfidência Baiana, é incontestável a presença do elemento majoritário nessas revoluções lutas, o negro. Ainda segundo Moura (1989), após o fim escravidão e o fim do Império, ele participou de movimentos da plebe, como a em Canudos, e a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido.

Revolta da Chibata

João Cândido na Revolta da Chibata

Do mesmo modo, entre 1903 e 1963 surgem em todo o país mais de 20 jornais escritos por negros, dentre os quais A Rua e o Xauter, em 1916, o Alfaiate em 1918, A Liberdade e o Bandeirante em 1919, A Sentinela em 1920, e o Kosmo, no ano seguinte. Além destes, surgiram no interior do movimento muitos outros títulos – O Getulino, Elite, O Clarim da Alvorada, Auriverde, Patrocínio, Progresso, A Chibata, A Raça, a Tribuna Negra etc. Passando a ter uma imprensa independente, os negros procedentes da classe operária passaram a reivindicar e transformar o jornal a tribuna das reivindicações específicas dos negros.

Por volta da década de 30, São Paulo, a cidade mais industrializada do Brasil, contatava com mais de 922 mil habitantes, dentre eles 100 mil eram negros que vivam em condições precárias, em cortiços. Nesse contexto de extrema opressão contra as condições de vida, o movimento negro começa a se destacar no âmbito nacional, com ações voltadas principalmente para o bem-estar social e integração da população negra na sociedade.

Em síntese, o negro estava buscando formas de se integrar como cidadão na sociedade brasileira, pois mesmo com a abolição da escravidão ele continuou a ser considerado uma escória, mesmo livre ele não conseguia acesso à sua cidadania. É interessante dizer, que mesmo com população mestiça, racismo perdurou por muito tempo de forma intensa, mas nos dias atuais com a luta pela igualdade, como é o caso da política de cotas, a sociedade brasileira está procurando meios para que o racismo seja abolido de vez, mesmo que essa tarefa ainda leve vários anos.
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