Category Archives: Cultura Afro-Brasileira

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Somos ex-alunos do professor Marcos Aurélio Fernandes da Universidade Católica de Brasília. Criamos o blog como forma de mostrar ao mundo e principalmente ao Brasil, como o negro ajudou na construção desse país. Leia logo após a nossa breve introdução e comece a curtir o blog.

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Fontes da pesquisa do blog, até o momento:

CALÓGERAS, P. de M. Formação Histórica do Brasil. São Paulo: 1927.

FERREIRA, A. B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1998.

MOURA, C. História do negro brasileiro. São Paulo: Ática, 1989.

PRANDI, R. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

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A contribuição do negro na linguagem e culinária

  • Na linguagem
Cafuné

Cafuné é uma palavra trazida pelos negros para o Brasil

Os africanos, na ausência de uma unidade linguística, já que provinham de diferentes povos, foram praticamente obrigados a criar uma em comum para que pudessem se entender.

A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos chegou também à Europa, veio do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, e notada principalmente no vocabulário relacionado à culinária e à religião e também do quimbundo angolano, em palavras como caçula, cafuné, moleque, maxixe e samba, entre centenas de outros vocábulos.

  • Na culinária

É impossível falar da influência dos africanos sem lembrar a herança que eles deixaram para a nossa alimentação. Acarajé, mungunzá, quibebe, farofa, vatapá são pratos originalmente usados como comidas de santo, ou seja, comidas que eram oferecidas às divindades religiosas cultuadas pelos negros. Hoje, porém, são dignos representantes da culinária brasileira.

Culinária Cuscuz

O Cuscuz foi um dos pratos trazidos pelo negro ao Brasil

As negras africanas começaram a trabalhar nas cozinhas dos Senhores de Engenho e introduziram novas técnicas de preparo e tempero dos alimentos. Também adaptaram seus hábitos culinários aos ingredientes do Brasil. Assim, foram incorporados aos hábitos alimentares dos brasileiros o angu, o cuscuz, a pamonha e a feijoada, nascida nas senzalas e feita a partir das sobras de carnes das refeições que alimentavam os senhores; o uso do azeite de dendê, leite de coco, temperos e pimentas; e de panelas de barro e de colheres de pau. Os traficantes de escravos também trouxeram para o Brasil ingredientes africanos como é o caso da banana, ícone de brasilidade mundo afora e da palmeira de onde se extrai o azeite de dendê.

Culinária Feijoada

Prato típico Feijoada

Em síntese, todos os pratos vindos do continente africano foram reelaborados, recriados, no Brasil, com os elementos locais. O dendê trazido pelos portugueses para queimar em lamparinas e iluminar as noites escuras do novo continente logo foi parar na panela das mucamas.

Culinária Farofa

Prato típico Farofa

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A contribuição do negro na religião

A religião integra o folclore do país como bem material. Os escravos vindos da África trazem consigo o candomblé. Proibidos de praticar sua religião, os africanos associaram a cada orixá um ou mais santos católicos, conforme cada religião do Brasil, para exercerem sua religião sem serem perseguidos. Dos orixás de origem africana, se tornaram mais populares os seguintes: oxalá, xangô, yansã, oxún, ogun, oxósse, omolu, yemanjá, ibejis e exu.

Religião Umbanda

Pessoas praticando a religião Umbanda

As religiões chamadas afro-brasileiras surgiram durante o processo de colonização do Brasil, com a chegada dos escravos africanos. Em diferentes momentos da história, aos poucos, as religiões afro-brasileiras foram se formando nas mais diversas regiões e estados. É justamente por isso que elas adotam diferentes formas e rituais, diferentes versões de cultos.

Na realidade, os cultos afro-brasileiros vêm da prática religiosa das tribos africanas. Por isso, cada uma tem a sua forma peculiar de chamar o nome de Deus, promover seus cultos, estruturar sua organização, celebrar seus rituais, contar sua história e expressar as suas concepções através dos símbolos.

Na tentativa de catequizar os negros, os europeus promoveram uma grande mistura que resultou nas hoje chamadas de religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, fruto da inter-relação de culturas.

Religião Candomblé

Salão para a prática da religião Candomblé

Alguns povos bantos eram adeptos do candomblé e foram seus introdutores no país. Atualmente, existem poucas casas de candomblé puro no Brasil, concentradas principalmente na Bahia. Por outro lado, o candomblé de caboclo e a cabula, outra variante do candomblé, tornaram-se as raízes remotas da umbanda, o mais difundido culto afro-brasileiro, no Rio de Janeiro.

+ Vídeo: As religiões afro-brasileiras (entrevista) Pt. 1 com Juliana Paes

Para resistir, o negro buscou, através de formas simbólicas, alternativas que camuflassem seus deuses a fim de preservá-los da imposição da igreja católica. Assim, o sincretismo foi uma forma de defesa do negro e não a incorporação da religião negra à religião predominante. 
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A contribuição do negro no folclore: dança, música, literatura e outros

Para o Brasil, são imensas e ainda hoje incomensuráveis as contribuições de mulheres e homens oriundos da África (de Cabo Verde à África do sul, na Costa Atlântica e Moçambique, na Costa do Índico, do interior do continente africano) das nações jla, courá, mina, nagô, ewe ou jej, hauçá, exanti, mup´r, bornu, gurunxe, fulá, malê, cabinda, benguela, congo, angola, macua, angico,sentys, berbere, jalofo, felupe, mandinga etc.

O folclore é entendido como o conjunto de manifestações espirituais, materiais e culturais de origem popular, transmitidos via oral ou pela prática de geração em geração. Compreende, assim, as tradições, festas, danças, canções, lendas, superstições, comidas típicas, vestimentas e artesanatos-cultivados especialmente pelas camadas populares. A escravidão foi responsável pela contribuição africana para o folclore, principalmente por que os negros eram trazidos de diversas áreas do velho continente.

A cultura imaterial (danças, festas, contos, lendas e religiões) é bem variada. Na dança destaca-se:

  • Coco: também denominado “bambelô”, é muito dançando da região praiana do Nordeste, sobretudo Alagoas. É uma dança de roda, cuja coreografia é mais um sapateado, acompanhado de plantas

    Dança Cocô

    Dança Cocô

  • Frevo: teve origem na capoeira, cujos movimentos foram estilizados para evitar a repressão policial. O nome vem da ideia de fervura (pronunciada incorretamente como “frevura”). É uma dança coletiva, executada com uma sombrinha, que seve para manter o equilíbrio e embelezar a coreografia. Atualmente, é símbolo do carnaval pernambucano.

    Dança Frevo

    Dança Frevo em Pernambuco - Brasil

  • Moçambique: frequentemente executado em São Paulo, Minas Gerais, e no Brasil Central. Os participantes formam uma esteira de losangos com bastões, pulam, agacham, e sacodem, sem tocar nos bastões. Enquanto dançam e louvam aos santos, em solo e coro. Considerado por alguns folcloristas uma dança, por outros um folguedos (ou festa popular).

    Dança Moçambique

    Dança Moçambique

  • Maracatu: é propriamente um desfile carnavalesco, remanescente das cerimônias de coroação dos reis africanos. A tradição teve início pela necessidade dos chefes tribais, vindos do Congo e de Angola, de expor sua força e seu poder, mesmo com a escravidão. Atualmente faz parte do carnaval de Pernambuco.

    Dança Maracatu

    Dança Maracatu

  • Capoeira: trazida pelos negros de Angola, inicialmente, não era praticada como luta, mas como dança religiosa. Mas, no século XVI, para resistir às expedições que pretendiam exterminar Palmares, os escravos foragidos aplicavam os movimentos da capoeira como recurso de ataque e defesa. Em 1928, um livro estabeleceu as regras para o jogo desportivo de capoeira e ilustrou seus principais golpes e contragolpes. O capoeirista era considerado um marginal, um delinquente. O Decreto-lei 487 acabou temporariamente com a capoeira, mas os negros resistiram até a sua legalização. E em 15 de julho de 2008 a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro e registrada como Bem Cultural de Natureza Imaterial.
Dança Capoeira

Capoeiristas lutando capoeira

+ Vídeo da luta capoeira

A literatura popular de origem africana é riquíssima. Ela contém uma vasta série de contos e lendas, que hoje integram o folclore brasileiro: contos totêmicos, ou seja, conjuntos de animais, como: tartaruga, lebre, sapo, antílope, elefante, crocodilo etc.

Contos de assombrações e entidades sobrenaturais, como a lenda do quibungo, que significa lobo. É uma espécie de entidade sobrenatural, meio homem, meio animal, que possui um enorme buraco no meio das costas, na qual atira meninos que persegue para comer.

A cultura material de origem africana também é vastíssima, abarcando artesanatos e técnicas, tais como: a fabricação de instrumentos musicais, a culinária, a fabricação de utensílios de cozinha e a indumentária, entre outros. Entre os instrumentos trazidos pelos africanos para o Brasil se destacam os de percussão, segundo o dicionário da língua portuguesa Aurélio (1998):

  • Afoxé: cabaça coberta por uma redinha de malha, em cujas intersecções se colocam sementes ou conchas.

    Instrumento Afoxé

    Instrumento musical Afoxé

  • Atabaque: espécies de caixa alta, com couro somente na abertura de maior diâmetro, que se percute com as mãos.

    Instrumento Atabaque

    Instrumento musical Atabaque

  • Agogô: par de campânulas ou sinetas sem badalo, de ferro, conectadas por uma haste encurvada, do mesmo material, que se percute com uma baqueta de madeira ou ferro.

    Instrumento Agogô

    Instrumento musical Agogô

  • Berimbau: arco de madeira retesado por corda de arame, com uma cabaça aberta presa à parte inferior externa do arco, tocado com uma vareta de madeira e com o dobrão (peça de metal), com acompanhamento do caxixi.

    Instrumento Berimbau

    Instrumento musical Berimbau

  • Caxixi: tambor cilíndrico, com couro em uma só abertura, em cujo centro está preso uma vareta de madeira, que friccionada com um pano molhado ou a própria mão produz o som.

    Instrumento Caxixi

    Instrumento musical Caxixi

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A contribuição do negro na economia

O principal motivo que acarretou a formação do Brasil foi para a extração de minerais, sendo os principais o ouro, ferro, prata e diamante, além dos vegetais, como a madeira e outros. E com isso a Europa ficou eufórica para explorar essas terras, trazendo assim o negro para a economia brasileira.

É possível dizer, que a participação dos negros na economia brasileira é um retrocesso na história, pois faz retornar ao tempo da escravidão, quer dizer, a era escravagista, antes do feudalismo tomar seu espaço. As viagens dos europeus à África e Ásia fizeram com que os negros participassem do sistema econômico vigente na época, não de maneira igualitária como mercadores, mas como escravos a serviço dos seus donos. Foi a partir desse momento, os negros passaram a ser levados para terra que estavam sendo descobertas, tanto para as colônias europeias como as colônias na América. Assim, chegaram os negros no Brasil, para devastar matas, cuidar da roça, do gado, trabalhar na cana-de-açúcar e dinamizar a economia da época.

Engenho de cana-de-açúcar

Negros escravos trabalhando em um engenho de cana-de-açúcar

Com este propósito, os negros se tornaram fortes colaboradores para a economia brasileira, não pelo lado intelectual, mas no impulso direto da dinamização do sistema econômico. No ciclo da mineração, o trabalho era árduo e impiedoso, na busca de satisfazer os desejos ambiciosos dos Reis de Portugal que objetivavam única e exclusivamente, extrair os minérios existentes no país. Eram quilômetros e quilômetros de mata adentro, passando todo tipo de miséria e sofrimento, com o ficto de se conseguir minerais preciosos. Desta mesma maneira, aconteceu na época do ciclo da cana-de-açúcar e por fim de toda economia, com uma escravidão de negros, de participação tão ativa.

+ Vídeo: O que era o engenho?

O negro era considerado um ninguém, somente tinha direito a sua ‘ração’ diária e um canto para dormir, conhecidos como senzalas. A vida do negro era o trabalho, o máximo possível, para retornar de maneira eficaz os custos imputados na compra de um negro trabalhador. A relação feitor-negro era o mesmo que máquina e quem a comanda, com uma diferença, é que o negro não tinha nenhum privilégio e a máquina tem a seu favor a limpeza de manutenção, todavia, o negro tinha como recompensa, as chicotadas e o castigo. O tratamento recebido do patrão era de tamanho desprezo e distanciamento, porque branco é branco e negro é negro, e o que resta por último é o trabalho e o conforto, somente na hora da dormida, poucas horas.

O negro na economia era o trabalho desqualificado. Era o trabalho bruto, quer dizer, não era um trabalho que usasse a inteligência, pois não era do interesse de seu proprietário, educá-lo para atividades de servidão e total subordinação ao seu senhor.

De acordo com Calógeras (1927), o Brasil, não tendo ainda revelado haveres minerais, só poderia ser colônia agrícola. Os portugueses, por demais escassos, não possuíam braços bastantes para o cultivo de suas fazendas nem para a extração do pau-brasil. Saída única para tais dificuldades deveria ser arrancar, por quaisquer meios, trabalhadores baratos do viveiro aparentemente inesgotável da população regional. Essa foi à origem do negro na economia do país e que durou muito tempo.

O negro na economia brasileira, como em qualquer outra economia que usava o negro como mão-de-obra escrava, era tratado como uma mercadoria que era vendável, como bem retrata este anúncio da época: compram-se escravos de ambos os sexos, com ofício e sem ele, e pagam-se bem contanto que sejam boas pessoas, na rua do Príncipe no 66 loja ou então este: quem tiver para vender um casal de escravos, dirija-se a rua do Príncipe no Armazém de Molhados no 35 que achará com quem tratar. Desta forma, os jornais da época anunciavam constantemente transações de compra e venda de seres humanos, como se fossem produtos que vendidos, pudessem passar de mão em mão sem nenhum poder de reação.

Mesmo após a abolição da escravidão o negro ainda passou por diversos problemas, como o salário baixíssimo, dificuldade de encontrar emprego, de se fixar em uma moradia. Nos dias atuais o negro passou a ter um bom cenário, e existem diversas políticas públicas para garantir isso. Entretanto, ainda é necessário acabar com o preconceito e o racismo, que ainda perdura na sociedade brasileira, mesmo que esta esteja tentando combate-la.

Mesmo após a abolição da escravidão o negro ainda passou por diversos problemas, como o salário baixíssimo, dificuldade de encontrar emprego, de se fixar em uma moradia. Nos dias atuais o negro passou a ter um bom cenário, e existem diversas políticas públicas para garantir isso. Entretanto, ainda é necessário acabar com o preconceito e o racismo, que ainda perdura na sociedade brasileira, mesmo que esta esteja tentando combate-la.
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A contribuição do negro na política

Guerra dos Canudos

Guerra dos Canudos

Nos dizeres de Moura (1989), a história do negro no Brasil se mescla quase em sua totalidade na formação da nação brasileira, por meio de sua evolução histórica e social. O negro, considerado um objeto não raro como uma força animal de trabalho, contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da economia atual brasileira, mas mesmo contribuindo de forma bastante significativa, ele não pode usufruir do seu trabalho.

Além de desenvolver a riqueza nacional e disseminar sua cultura, o negro atuou politicamente. São vários os movimentos sócio-políticos na trajetória social e histórica brasileira que participaram o negro escravo ou o negro livre. Vale ressaltar também os quilombos, que foram vistos como movimentos políticos independentes dos escravos, em quase todas as lutas ocorridas ou planejadas o povo negro esteve presente.

Nas lutas pela independência e a sua consolidação, na luta pela expulsão dos holandeses, na Revolução Farroupilha, nos movimentos radicais da plebe rebelde, como a Cabanagem, no Movimento Cabano, e entre outros ele este presente. Ressalta-se também a famosa Inconfidência Mineira, a Inconfidência Baiana, é incontestável a presença do elemento majoritário nessas revoluções lutas, o negro. Ainda segundo Moura (1989), após o fim escravidão e o fim do Império, ele participou de movimentos da plebe, como a em Canudos, e a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido.

Revolta da Chibata

João Cândido na Revolta da Chibata

Do mesmo modo, entre 1903 e 1963 surgem em todo o país mais de 20 jornais escritos por negros, dentre os quais A Rua e o Xauter, em 1916, o Alfaiate em 1918, A Liberdade e o Bandeirante em 1919, A Sentinela em 1920, e o Kosmo, no ano seguinte. Além destes, surgiram no interior do movimento muitos outros títulos – O Getulino, Elite, O Clarim da Alvorada, Auriverde, Patrocínio, Progresso, A Chibata, A Raça, a Tribuna Negra etc. Passando a ter uma imprensa independente, os negros procedentes da classe operária passaram a reivindicar e transformar o jornal a tribuna das reivindicações específicas dos negros.

Por volta da década de 30, São Paulo, a cidade mais industrializada do Brasil, contatava com mais de 922 mil habitantes, dentre eles 100 mil eram negros que vivam em condições precárias, em cortiços. Nesse contexto de extrema opressão contra as condições de vida, o movimento negro começa a se destacar no âmbito nacional, com ações voltadas principalmente para o bem-estar social e integração da população negra na sociedade.

Em síntese, o negro estava buscando formas de se integrar como cidadão na sociedade brasileira, pois mesmo com a abolição da escravidão ele continuou a ser considerado uma escória, mesmo livre ele não conseguia acesso à sua cidadania. É interessante dizer, que mesmo com população mestiça, racismo perdurou por muito tempo de forma intensa, mas nos dias atuais com a luta pela igualdade, como é o caso da política de cotas, a sociedade brasileira está procurando meios para que o racismo seja abolido de vez, mesmo que essa tarefa ainda leve vários anos.
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Uma breve introdução

Cultura Afro-Brasileira

A contribuição dos negros na construção da sociedade brasileira é evidente. É possível notar sua influência desde simples superstições até o modo de viver do brasileiro. O cantar, o dançar, o sentir, o produzir e até mesmo o refletir foram características legadas por meio dos negros. Essa grande influência teve início a partir do tráfico negreiro, em que milhões de africanos foram forçados a sair de seu continente de origem para exercer trabalho escravo no Brasil.

O negro foi considerado mercadoria no Brasil a partir do final do século XVI, quando os colonizadores portugueses começaram a substituir a mão-de-obra indígena pela negra. E partir desse momento, o negro se tornou importante no cenário brasileiro. Ele foi introduzido em todas as áreas de trabalho, como a do artesanato, a agrícola e a doméstica.

É necessário salientar que o negro não veio sem cultura do seu local de origem. Ao entrar no Brasil ele viu uma realidade totalmente diferente da que vivia, visto que para o colonizador europeu eles eram considerados somente como mão-de-obra, mas o negro no continente africano vivia em tribos, lá ele era príncipe. A heterogeneidade cultural das etnias africanas era imensa, ou seja, lá se tinha uma prática cultural diferenciada, dependendo da região à qual pertencia.

A contribuição do povo africano para a formação brasileira foi primordial tanto na composição física da população quanto na conformação do que viria a ser cultura, isso inclui várias dimensões, como a culinária, língua, música, religião, estética, valores sociais e estruturas mentais.

Vale ressaltar que a cultura africana também incorpora traços indígenas e europeus. Assim, é possível dizer que esse grande intercâmbio cultural vai além de regiões, para se tornar uma cultura única, a cultura brasileira, considerada uma das mais ricas, fazendo do Brasil um país de grande miscigenação cultural e racial.

Conclui-se nesse contexto, que a histórica do povo africano é rica, e que apesar da aculturação, do sofrimento, e das grandes batalhas por direitos, os negros se tornaram um fator preponderante na construção do Brasil de hoje. E apesar da necessidade de políticas públicas que apoiem o desenvolvimento social, econômico e política da comunidade brasileira, o negro foi e sempre será um dos alicerces dessa nação.

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